"If you put two economists in a room, you get two opinions, unless one of them is Lord Keynes, in which case you get three opinions." Winston Churchill
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Set 10
publicado por Paulo Ferreira, às 00:36link do post | comentar | | adicionar aos favoritos

Poucas notícias das últimas semanas são tão extraordinárias como esta: o Governo cubano vai despedir mais de um milhão de trabalhadores do Estado nos próximos três anos; meio milhão saem já em Março.

Duas ironias perturbadoras, que são as duas faces da mesma moeda. Uma é que o mais simbólico dos regimes comunistas sobreviventes começa a reforma do seu cadáver económico precisamente por aquilo que em muitas economias de mercado (Portugal é só mais um exemplo) permanece um tabú intocável: o emprego público é para a vida. A outra é que este exemplo radical - nem os liberais Estados Unidos e Singapura se lembrariam de despedir, de uma assentada, cerca de 20% dos trabalhadores do Estado - chega, sem pré-aviso, do país onde até as barbearias são do Estado e os barbeiros funcionários públicos.

Cuba vai, rapidamente, deixar de ser Cuba. O modelo chinês de abertura à economia de mercado mantendo o regime de partido único será, muito provavelmente, irrepetível ali. A dimensão dos mercados internos não é comparável, a massa crítica para se tornar mais uma "fábrica do mundo" não existe. E a proximidade dos Estados Unidos fará o resto.

Meio século de pressão e boicote americanos não chegaram para mudar um regime que agora se verga ao falhanço da primeira prioridade de qualquer liderança política: garantir ao povo uma digna e crescente qualidade de vida.

Afinal, se a economia centralizada falhou em todo o lado por que é que havia de resultar em Cuba?


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