Dois amigos foram pescar para um rio nas montanhas. Corria bem a pescaria quando reparam, ao longe, num urso enorme que caminhava em direcção a eles em passo cada vez mais acelerado. O carro estava distante e por ali não havia forma de se colocarem a salvo. Começaram a correr. O urso, ainda longe, também. Um dos amigos resolve então parar, sentar-se no chão e abrir a mochila.
- O que é que estás a fazer?
- Assim não consigo correr depressa. Vou tirar estas botas pesadas e molhadas e calçar os ténis que tenho na mochila.
- Estás louco? Achas que mesmo com ténis consegues correr mais depressa do que o urso?
- Eu não tenho que correr mais do que o urso. Para me safar só preciso de correr mais do que tu.
Lembrei-me desta história a propósito do que se tem passado nas últimas semanas nos mercados europeus de dívida soberana.
Os investidores são o urso. A Grécia e a Espanha são o pescador que calçou os ténis. Portugal - e, eventualmente, a Irlanda - são o outro amigo.
Até Agosto, a despesa pública portuguesa aumentou "apenas" 2,7% em relação ao período homólogo do ano passado. Pode pensar-se que é um bom resultado, ou um resultado menos mau, uma vez que nos meses anteriores a despesa estava a aumentar a um ritmo superior.
Mas quando verificamos que a Espanha cortou as despesas em 2,5% até Julho (está na página 6-8 do link) e que a Grécia baixou os gastos do Estado em 7,6% até Agosto não temos dúvidas sobre quem correu mais e quem se deixou ficar para trás, transformando-se na presa preferencial do urso.