Rui Pedro Soares e Soares Carneiro receberam, em conjunto, um milhão e 800 mil euros quando se demitiram da administração da Portugal Telecom na sequência do caso "PT/TVI". Segundo foi comunicado oficialmente em Fevereiro, ambos se demitiram, não foram demitidos. Ainda assim, levaram uma quantia elevada em jeito de indemnização. Indemnizados de quê?
A reputação corporativa é, hoje, um bem precioso. Foi, aliás, em nome dela que Henrique Granadeiro implodiu a tentativa de compra da TVI pela PT, como o próprio já afirmou repetidamente. Granadeiro viria também a afirmar que o envolvimento da PT no caso da escutas, provocado por aqueles dois administradores, estava a ter um "impacto brutal" na reputação da empresa.
As empresas que honestamente se preocupam com a sua reputação têm que começar a perceber que não podem premiar aqueles que a minam de forma tão desastrada. Por uma questão moral, antes de mais. E para não transmitir aos seus quadros os incentivos errados, logo a seguir.
Mas se a moralidade e os incentivos correctos não são argumento suficiente, então que se preocupem, mais uma vez, com a sua imagem perante os vários stakeholders. É que o prémio dados aos prevaricadores funciona como um segundo rombo na reputação, que se soma ao primeiro.
Hoje, sabendo-se como foi generosa com Rui Pedro Soares e com Soares Carneiro, a PT é uma empresa menos digna do que era ontem. Porque há indemnizações que são indignas e dão cabo de uma reputação.